REVIEW: Headlander (PC, PS4)

Headlander (PC, PS4)
Data de lançamento: 26 de Julho de 2016
Desenvolvedora: Double Fine Productions
Publisher: Adult Swim Games
Preço: U$19.99 

Desenvolvido pela Double Fine, Headlander se passa em um universo com visual bastante influenciado pelas histórias sci-fi dos anos 70. Nesse futuro, a sociedade trocou os corpos orgânicos pelos metálicos para viver numa utopia controlada pela inteligencia artificial Methuselah.

A sua (ou seu) personagem principal acorda em uma estação espacial sem memória, e apesar de ser apenas uma cabeça em um capacete, Headlander é a ultima pessoa de carne e osso no universo.

A história é contada pelos personagens que você interage, uma vez que por não ter pulmões, Headlander não consegue falar. O bom humor característico da Double Fine está presente em toda a narrativa desse sidescroller/metroidvania 2D . Personagens como Earl, que tem um sotaque sulista bem carismático, a AI de segurança ROOD, e o robozinho de informações Mappy são muito divertidos e com diálogos sempre agradáveis. O visual hippie setentista também contribui pras piadas e pro tom da aventura.

O gameplay se baseia quase todo na habilidade de Headlander de conectar seu capacete aos vários corpos robóticos presentes no jogo, incluindo seus inimigos, assim tomando controle dos mesmos. Diferentes corpos tem diferentes habilidades e funções relacionadas a sua progressão nos esquemas de puzzles nesse leve metroidvania.

Os robôs de segurança são chamados de Shepards, e distinguem em si pelas armas e principalmente pelas cores (Vermelho, Laranja, Amarelo, Azul, Verde e Violeta) que significam o seu nível de patente de segurança, sendo Vermelho o mais baixo e Violeta o mais alto. Muitos dos puzzles estão relacionados a abrir portas de cores diferentes para chegar a lugares específicos do mapa, isso envolve ou usar um corpo da cor da porta, ou fazer com que um tiro proveniente da mesma cor acerte a porta. Parece confuso mas não é, e o gameplay na maioria do tempo é bem intuitivo. E não são só soldados que Headlander pode possuir o corpo, qualquer cidadão incluindo até cachorros robóticos e maquinas de limpeza podem ser controlados.

Boa parte do gameplay também é feito só com o capacete, e seja no combate ou na exploração os controles do capacete são fluidos e bem divertidos.

Na maioria do tempo que combate era necessário, eu me via mais usando habilidades de melee ou de tomar controle dos corpos dos adversários, que usar as armas a laser. Isso acontece porque a mira não é tão bem resolvida e com certeza a parte mais fraca do gameplay. Mesmo com um sistema de cobertura feito pra se atirar com mais calma, usar a arma quase nunca é a forma mais adequada, e nem a mais divertida de combate. Outro ponto onde o combate não brilha muito são nas boss fights, que são um pouco entediantes

O jogo possui um bom sistema de upgrades que incluem aprimoramentos tanto pro capacete como pros corpos que Headlander possui, muitos também relacionados a progressão, como demanda um bom metroidvania. A exploração e os segredos não são tão densos igual em outros jogos do gênero e demandam um backtracking moderado, mas ainda sim me fizeram ter vontade de descobrir e fazer tudo no cenário, incluindo quatro side quests. 

A história tem um ar de mistério até um pouco intrigante, mas não  é tão efetiva em manter o interesse e acaba ficando em segundo plano das piadas e do ótimo design do cenário.

Visualmente o jogo é lindíssimo,  com muitos detalhes e misturas de texturas em vários ambientes. A qualidade da animação dos personagens também é muito boa, algo que fica evidenciado pelo botão de dança (cortesia do já citado bom humor do estúdio) já que corpos diferentes tem animações e rotinas de dança diferentes. Claramente ter Lee Petty (que foi diretor de arte em vários jogos da Double Fine) como diretor geral de Headlander foi uma tacada certeira pro aspecto visual do projeto.

A trilha é ótima e combina muito com o ambiente do jogo, sendo pra mim o grande destaque a música de loading, que é extremamente viciante. Ainda no campo do áudio, Headlander possui bons efeitos sonoros e ótimo voice over

Em relação a performance, são poucos os momentos de queda de framerate ou travas do tipo, acontecendo uma vez ou outra em momentos mais intensos, mas nada que atrapalhe.

VEREDITO

Headlander é um metroidvania de espirito e (exploração) leve. Os problemas com a mira incomodam em alguns pontos, mas não tiram a diversão, e a mecânica principal de possuir os corpos com o capacete gera tanto intensas batalhas como puzzles moderadamente bem pensados. Apesar da história não ser o grande destaque da narrativa, com certeza valeu pelos diálogos cômicos dos personagens que interagem com a(o) protagonista. Passar por salas como o ”Lounge do High Five”, ou ”Rings of urAnus” traduzem o espirito leve dessa aventura.

NOTA 8.0/10


O review foi baseado em uma cópia de PlayStation 4 fornecida pela Adult Swim Games

 

Compartilhe:
  • Douglas Feliciano

    Novamente um ótimo texto Felipe, e como fiz ha um ano atrás vou reforçar novamente, porque não transformar os reviews em pequenos programas especiais em áudio? Não precisa haver discussão ou debate do tema, você pode apenas transformar seu texto em um monólogo e publicar ele no feed dos podcasts e fazer o post junto com o texto (uma transcrição do áudio).

    Com uma bela edição (Edu talvez?!?) e efeitos sonoros interessantes relacionados ao jogo claro, funcionaria fácil sem dúvida.

    Grande abraço e tudo de bom. Flw

  • Jeovane 13

    Jogos como esse são ótimos

  • Felipe Martins Philo

    “Apesar da história não ser o grande destaque da narrativa, com certeza valeu !!pelas!! pelos diálogos “