REVIEW: Aragami (PC, PS4)

Aragami (PC, PlayStation 4)
Data de lançamento: 04 de Outubro de 2016
Desenvolvedora: Lince Works
Publisher: Lince Works
Preço: U$19,99


Aragami nasceu de um projeto de estudantes de Barcelona chamado Path Of Shadows que ganhou concursos e notoriedade na cena de desenvolvimento de jogos européia. Movido por tal sucesso o recém fundado estúdio Lince Works fez uma campanha no Kickstarter para Twin Souls: Path Of Shadows, porém não atingiu a meta de 70 mil dólares. A falta de financiamento coletivo não desanimou o estúdio que continuou trabalhando no jogo, mudando alguns conceitos de design e inclusive o nome do projeto, agora Aragami, que é também o nome do protagonista. Dois anos depois da campanha não bem sucedida, o jogo inspirado por títulos como Tenchu e Dishonored é finalmente lançado.

Aragami é um jogo 3D em terceira pessoa focado em mecânicas de stealth. Seu personagem, um espirito das sombras,  é invocado por Yamiko para ajudar-lá a escapar do aprisionamento, uma vez que povo dela foi dizimado pelo clã Kaiho, resultando no aprisionamento da mesma. Aragami abastece seus poderes na sombra e os perde aos poucos se ficar exposto a luz direta, e a luz inclusive é a principal arma dos soldados do Kaiho contra Aragami.

No começo as habilidades de Aragami são limitadas a apenas transitar entre as sombras, usando um poder de teletransporte (além de claro um ataque furtivo). Com o tempo, são achados no jogo pergaminhos que permitem customizar as habilidades do personagem. Até por isso o começo é um pouco arrastado e o jogo só  me passou aquela sensação satisfatória de jogos de stealth quando se adquire mais habilidades. Aragami pode atirar projeteis de escuridão, ficar invisível fora das sombras, marcar os inimigos, criar sombras pra se locomover mais facilmente, fazer ataques especiais que já ”desovam” o corpo de inimigos e coisas do tipo. Nos momentos quando rapidamente se encaixa uma serie de movimentos bem sucedidos é quando o jogo brilha e se mostra muito divertido.  Pra melhorar ainda os aspectos de gameplay, a campanha de Aragami pode ser jogada inteira em co-op, o que cria uma outra camada de planejamento do stealth.

Uma pena que as grandes qualidades de Aragami se limitam em alguns momentos por conta de aspectos técnicos. No PS4, o jogo tem um problema visível de frame-rate em áreas mais grandiosas, mesmo já tendo dois patchs disponíveis pra performance (A versão de PC não foi testada por mim mas aparentemente também tem alguns problemas). Outro problema é a AI que se mostra inconstante, nem tanto contra inimigos comuns mas principalmente em uma das boss battles. Nesse momento o chefe da fase apenas finge que não sabe  o posicionamento de Aragami, uma vez que mesmo sem nem ele ou qualquer inimigo comum ter te visto, ele segue sua posição geral. É um artificio barato para aumentar a dificuldade dessa seção, mas que não ilude ninguém, uma vez que é claramente notório que ele está te seguindo. Outro problema nas fases são as check points, bastante inconstantes também te penalizando além da conta em alguns momentos.

Em termos de design no geral as fases são até bem variadas e oferecem múltiplos caminhos, com o jogo inclusive incentivando o jogador a jogar várias vezes, seja fazendo uma rota sem matar ninguém ou nunca ser percebido, ou então num mayhem total matando todos os inimigos. Mas a inconstância aparece de novo no campo do game design, com algumas fases sendo perfeitamente projetadas pro gameplay, enquanto outras deixam a desejar usando artifícios baratos como numero de inimigos ou um backtracking desnecessário nos ambientes.

A interface do jogo é bem minimalista até pra facilitar seu compreendimento do cenário, com o medidor de poder de Aragami localizado direto na sua capa/cachecol. Forma simples mas muito bem pensada de incorporar a UI ao jogo e que combina muito bem com o aspecto cell shading da direção de arte.

Já falando de história, a narrativa é interessante e a relação e diálogos de Aragami e Yamiko são legais, mas um pouco genéricos e os plots twists bem telegrafáveis. E apesar de apresentar cutscenes em um estilo de desenho, pouco se faz pra explorar outros personagens que se não os dois principais.

VEREDITO

Aragami tem uma base muito promissora. Visuais bem trabalhados, gameplay divertido e personagens interessantes, mas a estreante Lince Works peca em aspectos como performance, inconsistência da inteligencia artificial e dos controles,  e algumas escolhas de design. O resultado geral porém é um bom jogo de stealth que apesar dos problemas é bastante passível de diversão nas suas 10 horas de campanha. É um bom começo pro estúdio espanhol e espero que fiquem no gênero de stealth para seu segundo jogo, consertando os problemas apresentados em Aragami

NOTA: 7.3/10

 


O review foi baseado em uma cópia de PlayStation 4 fornecida pela Lince Works

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