REVIEW: Firewatch (PC, PS4)

Firewatch (PlayStation 4, PC)
Desenvolvedora: Campo Santo
Data de lançamento: 9 de Fevereiro, 2016 (PS4 e PC)
Preço: U$19.99

Steam BR : R$36,99 (R$33,29 até o dia 12/02)

No meio de uma conferencia celebrada por conter The Last Guardian, Final Fantasy VII Remake e Shenmue 3, o anuncio de que Firewatch seria lançado simultaneamente no PS4 junto com o PC poderia passar batido, mas não pra mim.

Desde a primeira vez que vi o jogo da Campo Santo em ação fiquei maravilhado com o visual e a proposta que ele apresenta. Firewatch é um Adventure em primeira pessoa focado nas experiências de Henry (seu personagem) como um vigia florestal contra incêndios durante o verão de 1989 em um parque do complexo de Yellowstone no Wyoming.

Um prólogo apresenta muito bem o background e os motivos dessa empreitada de Henry, introduzindo inclusive o sistema de escolhas que vai ser utilizado em extensão no decorrer da campanha, e já ali vai te aproximando e definindo suas ideias sobre o caráter do personagem. Ele busca o isolamento e a aparente tranquilidade do serviço pra fugir de problemas pessoais por um tempo. Sua única relação nessa história é feita por rádio com Delilah, sua supervisora que está estacionada em outra torre de observação no mesmo parque. O jogo é formatado em capítulos, que envolvem em sua maior parte exploração e os diálogos com sua chefe. É uma boa estrutura pra um jogo que mistura o gênero Adventure com FPX/Walking Simulator, e apesar desse formato, o jogo não é exatamente linear e incentiva a exploração do belíssimo mundo construído pela Campo Santo. Só me incomoda que alguns capítulos acabam abruptamente, dando um ritmo um pouco estranho em algumas sequências.

O gameplay é bem simples mas muito bem pensado. Você utiliza um walkie-talkie para conversar e se reportar para Delilah, tendo um mapa e uma bussola para se localizar no hub que você se situa, e ao longo da história itens como cordas, lanterna, um machado e uma câmera são adicionados ao seu inventario. Utilizar o mapa inclusive ajuda muito na imersão e colabora pra ser criar uma relação mais proxima com o mundo. Henry pode pegar e inspecionar vários objetos presentes no jogo, mas não tem nenhuma utilidade a não deixar o jogo mais factível e passar algumas referencias dos anos 80-90. Me agradou muito a visão dos desenvolvedores em dar mais densidade ao gameplay em um gênero que geralmente não tem muito esse foco, mas confesso que eu gostaria de ter tido mais opções de uso para items não diretamente ligados a exploração. 

A rotina de Henry começa simples, com Delilah passando ordens de tarefas trívias do oficio do personagem, mas logo se percebe que o tom geral que Firewatch quer passar não é exatamente o de tranquilidade. Coisas estranhas acontecem envolvendo Henry e a historia passa a ser conduzida por uma aura mais misteriosa.  O ambiente isolado auxilia muito bem nessa dinâmica de intercalar momentos de tensão com alguns mais leves e contemplativos, sempre te intrigando e te aproximando da narrativa e de seus protagonistas, e são exatamente esses fatores que tornam Firewatch um jogo bastante especial.

A relação e os diálogos entre Henry e Delilah são divertidos e algumas vezes mais sérios e profundos, e esse conjunto de emoções e a sensação de solidão muito bem representada graças a ótima ambientação construída ali estabelece uma conexão intima entre você e esses personagens. O jogo tem uma arvore de escolha de diálogos, mas ela não interfere tanto na história, e acaba servindo mais para exatamente estabelecer o seu tipo de relação com Delilah e te incluir nesse mundo de forma mais orgânica. O ótimo voice acting colabora  para que os diálogos sejam fluidos e bastante relacionáveis, você realmente ri das piadas, fica sem palavras em momentos mais sérios e sempre pensa antes de responder, tudo como se fosse uma conversa normal e real que se tem com amigos. Os capítulos finais podem não ser tão recompensantes em detrimento ao plot geral do jogo mas os últimos instantes resgatam algumas das melhores lembranças da história, de uma forma até bem diferente do resto da narrativa

Inclusive recomendo jogar de fone de ouvido, pois encaixa muito bem com a imersão da trilha e dos sons no jogo e da ainda mais veracidade aos diálogos

É necessário atestar que a performance técnica no PlayStation 4 acabou não sendo das melhores. Em alguns momentos acontecem quedas bruscas de FPS, e até pequenos momentos de travamento e corte de áudio ocorreram durante meu playtrough, mas nada que atrapalhasse tanto a imersão da ótima experiencia. Até onde sei a versão do PC não sofre de tais problemas, então no momento é a mais recomendada.

Referencia s2 de The Last Of Us

VEREDITO

Firewatch tem uma historia divertida e emocionante, com personagens interessantíssimos e diálogos muito bem construídos com humor e mistério. É um jogo que vai além da premissa básica de Walking Simulator e que tenta adicionar camadas e dar mais profundidade no gameplay desse gênero,  criando uma relação bem próxima do jogador com esse mundo que a Campo Santo acertou em cheio nos toques de realismo e carisma dos personagens. As pequenas quedas de ritmo, e o final que pode ser um pouco divisivo não tiram muito desse ótimo Adventure, que é extremamente recomendado se jogos desse gênero te interessam.

NOTA: 8.8

 


O review foi baseado numa cópia de PlayStation 4 fornecida pela Campo Santo.

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  • Fábio Lima

    Muito maneiro o review Felipe, me convenceu até a testar o jogo pra fazer o meu próprio posteriormente.
    Entendo que você comenta os pontos positivos e negativos, porém, caso não seja ultrasecreto, qual o critério que você utiliza pra retirar pontos de um jogo? Tipo, quanto cada um dos fatores citados valem nesses 1.2 a menos?

    • Felipe Mesquita

      Cara, eu faço uma parada bem detalhada e complexa, mas posso te dizer que eu não começo com 10 e vou tirando os pontos, acho bem errado esse critério.

      O que eu tento fazer é especificar e detalhar o gênero do jogo ao máximo, e dentro dessas caracteristicas destrinchar os elementos que as compõe, e dai sim julgar de forma numérica. Dai procuro fazer uma media, mas isso nem é o indicativo final da nota, é só um guia pra não me deixar iludir por um ponto ou outro do jogo. É uma forma que sei que funciona pra mim, e tento sempre ajustar ainda mais a minha visão.

  • Wilton Pahim

    Acredito que pelo que foi mencionado brevemente aqui sobre o final do game, e mais detalhadamente em outros lugares, a developer pode acabar lançando algo para complementar justamente o seu final. Mas mesmo assim, se mostra uma experiência divertida e vale a pena dar uma espiada mais detalhada, ao menos eu farei isso com certeza.

    Ótimo review Felipe.

    Parabéns!