Review: Zombie Vikings (PS4)

Zombie Vikings (PlayStation 4)
Desenvolvedora: Zoink! Games
Data de lançamento: 1 de Setembro, 2015 (PS4 )
Preço: $19.99 (R$61,50 na loja brasileira da PSN, R$43,00 com Playstation Plus até dia 15 de Setembro)

Depois do sucesso do ótimo Stick It To The Man (2013), a desenvolvedora Sueca Zoink! Games resolveu levar sua adorável arte e seu incrível bom humor para um gênero amado pelos gamers das gerações 8 e 16 bits. Zombie Vikings é um beat-em-up (gênero que vai ganhar um jogo honestíssimo no ano que vem) com características muito próprias de seus criadores.

Baseado na cultura nórdica de seus antepassados, a galera da Zoink usa de figuras famosas das lendas para estabelecer sua história. O Deus da trapaça, Loki, rouba o poderosíssimo olho de Odin, levando o ‘’pai de todos’’ a usar seus poderes para reviver poderosos guerreiros. Nascem ali os Zombie Vikings, e sua missão é recuperar o olho das mãos de Loki.

São quatro personagens jogáveis: Seagurd, Caw-Kaa, Gunborg e Hedgy, todos com habilidades e ataques especiais diferentes. O jogo pode ser jogado sozinho, mas é claramente focado para  que seja uma experiência co-op (suporta até 4 jogadores),  podendo ser local ou online. Com múltiplos personagens na tela, é possível fazer ataques combinados que causam mais dano nos inimigos e, para aumentar ainda mais a variedade no combate, você dispõe de mais de 40 armas, algumas com habilidades especiais. Por exemplo, uma delas é o Calcanhar de Aquiles, que além de deixar os inimigos mais lentos devido ao seu chulé (é sério), também invoca uma chuva de flechas, te ajudando bastante no combate. Outra arma é simplesmente um toco de madeira com um gato amarrado na ponta. Dai já se tem uma ideia do bom humor e das piadas, que já são marca registrada da Zoink. Existe também um sistema de Runas, que são uma forma de power-up, tendo inclusive algumas que são exclusivas para alguns personagens. Tanto as armas quanto as Runas podem ser compradas usando uma moeda do jogo, que é bem fácil de se obter.

Durante todo o jogo, referencias engraçadas são feitas nos diálogos . Menções a ”cultura marombeira”, Instagram, Facebook, filmes da saga Crepúsculo, uma comparação entre os Estados Unidos e o Inferno e várias outras coisas relevantes nos dias de hoje. Durante meu playtrough, me vi várias vezes rindo alto das piadinhas e situações. Então, não fiquei surpreso ao saber que o roteiro foi escrito por um comediante. Zach Weinersmith é o cartunista por trás do engraçadíssimo site de webcomics Saturday Morning Breakfast Cereal e é ele também o responsável pela maioria das piadas de Zombie Vikings.

São 25 fases, todas muito diretas e bem construídas artisticamente, com uma variedade regular de inimigos. A trilha sonora é boa e combina muito bem com os mapas e o estilo do jogo, com o destaque sendo a musica do menu de pausa (eu juro, é genial). As vezes são propostas algumas mecânicas de puzzles que são bem simples e até rápidas, sendo uma forma bacana de dar um descanso a ação frenética do beat-em-up, tendo inclusive um momento em que você joga uma partida de futebol medieval. E apesar de ser um sidescrolling o jogo te incentiva a explorar a profundidade dos mapas atrás de moedas e até de side-quests. Toda vez que se completa uma side-quest o jogador recebe uma arma com características especias. As  boss battles diferem um pouco no gameplay, mas são no geral decepcionantes por serem simples demais.  Além da campanha,  existe também um modo versus com 5 arenas diferentes.

Quase pro final da campanha, o gameplay vai se tornando um pouco repetitivo demais e o jogo até tenta mudar apresentando mais um personagem, mas o que suaviza mesmo são os ótimos diálogos. E apesar de no geral rodar bem, existem alguns problemas técnicos. O frame rate as vezes cai bastante, o que prejudica muito num jogo de ação. Bugs de inimigos pra fora da tela ou até mesmo jogadores pra fora da tela fazem com que as vezes se tenha de reiniciar uma fase para se seguir.  Um patch pra corrigir alguns destes problemas já está sendo feito pela Zoink! Games.

Teria sido interessante também se o jogo te desse a opção de trocar de personagem mesmo jogando sozinho. Por conta da história, algumas fases obrigatoriamente tem que ser jogadas por certos personagens, o que transforma a experiência single player inferior a de co-op. Tudo bem que existe um tipo de matchmaking para o co-op online mas até nas situações de morte se percebe que o foco com certeza não foi nas mecânicas para o single-player. Pra se ter noção existem side-quests que só podem ser completadas com quatro personagens na tela.

VEREDITO

Apesar de alguns problemas técnicos e experiência single player inferior, Zombie Vikings é um ótimo beat-em-up que vai te dar umas boas horas de diversão e risadas, sendo que o roteiro de comédia confirma a Zoink! Games como uma das minhas devs favoritas dos últimos anos.  A variedade de armas, inimigos e habilidades dos personagens faz com que você sinta vontade de testar todas as possibilidades de gameplay. Recomendo para quem tiver alguns amigos dispostos a experimentar essa aventura uma vez que o jogo brilha muito mais no co-op. É extremamente recomendado também deixar o jogo pausado e ficar só curtindo a musica genial que é tocada.

NOTA: 7.6/10


O review foi baseado em uma cópia de PlayStation 4 fornecida pela Zoink Games. Algumas imagens foram obtidas via press kit através da desenvolvedora. O jogo também estará disponível para PC, Mac, Linux e Wii U ainda este ano.

Se você curte o gênero de beat-em-up, apoie o projeto do jogo do 99Vidas no Catarse!

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  • Douglas Feliciano

    Excelente texto Felipe, gostaria de deixar algumas sugestões, que tal transformar os reviews em programas especiais em áudio. Não precisa haver discussão ou debate do tema, você pode apenas transformar seu texto em um monólogo e publicar ele no feed do podcast. Um exemplo para ter uma ideia do que quero explicar.

    http://outerspace.terra.com.br/?dir=analises&arquivo=viewer&cod_jogo=5212&cod_plataforma=17

    Está no formato vídeo, mas é possível ter uma noção do resultado apenas ouvindo.

    E por ultimo, em minha opinião, não utilizar uma nota no final das reviews pois números podem gerar inconsistências em análises futuras.

    Sugiro a utilização de uma indicação baseada em determinados comparativos, por exemplo, “Se você gosta de jogos X com determinadas mecânicas Y, esse jogo é pra você”.

    É isso, espero que o podcast cresça cada vez mais.

    Grande abraço e tudo bom pra vocês.

    • Felipe Mesquita

      São boas idéias cara, vou ver como me adapto ao formato de review em áudio ou algo parecido.

      E pra ser bem sincero, eu gosto das notas numeradas e é algo que penso muito, e levo bastante em conta jogos do mesmo estúdio, do mesmo gênero e várias outras ”variáveis”. E em relação a essa recomendação baseado nas mecânicas ou estilos, já é algo que faço no meu veredito mas vou tentar dar uma enfase maior no futuro.

      Valeu!

      • Guilherme Pontes

        Tenta fazer em audio sim!

        Vai ser bem legal pegar o metro pra casa e decidir no caminho se vale a pena pegar o jogo X ou nao 🙂