REVIEW: Crossing Souls (PC, PS4)

Crossing Souls
Data de lançamento: 13 de Fevereiro de 2018
Desenvolvedora: Fourattic
Publisher: Devolver Digital
Plataformas: PC, PlayStation 4
Preço: U$19,99

Crossing Souls tem várias similaridades com produtos da cena indie dos ultimos 10 anos. Produto de um estudio pequeno, que decidiu se juntar pra entregar um trabalho que remetesse a produtos dos anos 80 e 90 e que passou por um Kickstarter bem sucedido pra ser financiado. A diferença é que enquanto muitos tem como objetivo homenagear um titulo ou genero especifico, os Espanhois da Fourattic misturam vários elementos de jogos desse periodo. Em termos de história, Crossing Souls vai além dos videogames pra buscar alguns elementos de inspiração pra sua narrativa. Filmes como Os Gonnies e Conta Comigo são claras (e até assumidas) referencias pras aventuras dos amigos de Tajunga, uma pequena cidade ficticia na California. E é dessa mistura de generos e midias que sai um produto bastante competente por si só também.

Somos gradualmente apresentados aos cinco protagonistas da história. Chris, o lider do grupo, Kevin seu irmão mais novo, Matt o cientista prodigio, Big Joe o ”porradeiro” da gangue, e Charlie a personagem mais ágil do grupo. Todos são jogáveis na história sendo possivel trocar o protagonista selecionado com apenas um toque no controle. Cada personagem tem caracteristcas de gênio e gameplay diferentes, e isso faz com que não só seja necessário trocar de personagem pra se progredir por puzzles, mas a interação com NPC’s e objetos no cenário pode ser diferente dependendo de qual protagonista interage com os mesmos.

Inicialmente o jogo remete muito a Action/Adventures dos 16 bits (como A Link to the Past) por conta de seu ponto de vista obliquo e o combate de ação (Chris inclusive tem um gameplay de combate razoavelmente parecido com de Link em ALTTP). Mas rapidamente o jogo também já ganha ares de Adventure, desafiando o jogador a resolver puzzles a partir de dicas no dialogo e cenário, e também introduzindo segmentos de plataforma. É celebratório inclusive que pra um jogo dessa perspectiva eu esperava que executar pulos em plataformas pequenas seria algo ou mal implementado ou reduzido pra não causar frustração no jogador, mas tive poucos problemas nesses segmentos uma vez que é surpreendemente fluido e intuitivo e também bastante presente ao decorrer das pouco mais de 6 horas de jogo.

Depois de introduzir todos os personagens e suas habilidades o jogo apresenta um elemento que é vital tanto pra história quanto pro gameplay. Os amigos encontram uma pedra mistica chamada Duat que possibilita os garotos de interagirem com outra realidade, nesse caso a dos espiritos de pessoas que já morreram. Com um toque de botão o cenário muda e se mescla mostrando fantasmas e objetos que são de origem do plano astral. A Duat é também o catalisador do conflito da narrativa, uma vez que ela antes era posse do vilão Major Ohrus, que busca controlar os dois planos da realidade atráves do poder dela.

O combate em Crossing Souls também é uma mescla de varias influencias que funciona muito bem. No geral segue a linha dos Action/Adventure de visão obliqua, mas também tem um pouco de influencia de Beat’em ups (inclusive tem uma seção do jogo onde é exatamente uma replica do modelo de beat’em up). Dois elementos que diferenciam essa implementação de outros titulos é que os personagens tem barras de estamina (que variam de personagem pra personagem, o mesmo ocorrendo com a quantidade de ”vida” de cada um) e também a possibilidade de trocar no ato qual protagonista está no combate. Dessa forma o ritmo desses segmentos é acelerado e variado e mascara qualquer rastro de repetitividade nas lutas. As batalhas com chefões são o ponto fraco do combate porque em um jogo que se propõe a variar tanto, elas tem poucas caracteristicas que as distinguam mais fortemente de batalhas ou situações usuais do gameplay.

Fora as batalhas o jogo segue um ciclo de puzzles, plataforma e exploração. Nenhum deles é tão profundamente implementado quanto o combate, mas fazem muito bem o seu papel pra variar o ritmo da aventura. Além disso algumas seções especificas alteram completamente o gameplay e fazem homenagem a clássicos como Battletoads e Streets of Rage.

Em termos de constituição de mundo e narrativa é onde a Fourattic talvez declare mais intensamente seu amor pelos anos 80. Além da historia cliche de ”aventura entre amigos nas férias de verão” ela usa varias referencias a produtos da cultura pop daquele periodo pra construir os cenários e situações. Tem referencia a Tartarugas Ninjas, De Volta Pro Futuro, Conta Comigo, Metal Gear e vários outros. Inclusive os colecionáveis são fitas cassete, VHS e cartuchos com titulos parodiando produtos reais como ”The Mushroom Eating Bros”, ”Sedentator” e ”Human Hunt”. Além da apresentação maravilhosa em pixel-art entregue pelo estúdio o jogo tem também cutscenes animadas que lembram muito desenhos dos anos 80 e 90 também.

Mas não só de referencias vive a história. Fui surpreendido por alguns twists e momentos mais intimos que a história apresenta que acabaram no balanço geral deixando esse conto de amizade devidamente original quando chegamos ao final.

VEREDITO

Crossing Souls é sim um produto que utiliza da nostalgia e de influencia de produtos já consagrados pra estabelecer sua base de qualidade. Inova pouco, mas é bem sucedido em todas as limitadas tentativas de dar uma chacoalhada inesperada em gêneros e conceitos que se esperaria de um produto que é basicamente uma homenagem aos jogos e a cultura pop no geral dos anos 80 e 90.

NOTA 8.0/10


O review foi baseado em uma cópia de PlayStation 4 fornecida pela Devolver Digital

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  • Danilo Melo

    Não seria melhor colocar o preço do jogo em reais?