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REVIEW: A Plague Tale: Innocence

A Plague Tale: Innocence
Data de lançamento: 14 de Maio de 2019
Desenvolvedora: Asobo Studio
Publisher: Focus Home Interactive
Plataformas: PC, PS4, XB1
Preço Base: U$44.99

A Plague Tale: Innocence se passa no século XIV, durante um dos períodos mais sombrios da Europa, onde o continente foi desolado pela Peste Negra. O primeiro capítulo ilustra claramente a influência de ‘’The Last of Us’’ e ‘’Brothers: A Tale of Two Son’s’’ no projeto, ambos citados pelos franceses da Asobo Studio como duas das maiores inspirações para o jogo. Controlamos Amicia de Rune, filha de nobres do sul da França que após uma breve introdução, logo vê sua aparentemente tranquila vida virada completamente, fugindo não só da infestação dos ratos causadores da Peste Negra como também da Inquisição que tem algum interesse obscuro em seu irmão Hugo. Apesar de irmãos Amicia e Hugo pouco conviveram, pois o garoto tem desde nascença uma doença misteriosa e vive isolado no feudo dos de Rune, convivendo praticamente somente com sua mãe que passa seus dias pesquisando sobre a doença e tratando do filho mais novo.

É um começo forte que não só introduz as mecânicas básica de stealth que permeiam até o final da jornada, mas que também estabelece que apesar dos vários laços que os conectam, os irmãos de Rune também são alheios um do outro. Amicia repentinamente recebe a dura missão de, em um momento já extremamente crítico, ter que cuidar de um irmão que mal conhece, e Hugo se vê pela primeira vez habitando um mundo fora dos limites do seu quarto, um fato que gera momentos interessantes, do garoto experienciando pela primeira vez coisas triviais como brincar com sapos e borboletas, mas também que gera nele insegurança, principalmente por não ter a presença de sua mãe por perto, até então sua figura parental primordial. Esses conflitos e a forma que estas crianças lidam com tais conflitos são algumas das melhores partes de A Plague Tale, um jogo que é surpreendente bem escrito, que durante boa parte do seu roteiro introduz ótimos personagens de suporte, e que conta com performances que no geral são muito boas e transmitem bem os diferentes espectros de emoção que essa aventura gera em cima dos de Rune (apesar de que o ator que faz o voice acting de Hugo em Inglês esta bem abaixo das outras performances, algo que incomoda um pouco)

Como referenciei no parágrafo anterior, A Pague Tale é um jogo primordialmente de stealth. Até existe uma mecânica ou outra de combate direto, usando o estilingue de Amicia como arma, mas como ela é ainda uma adolescente, raras são as situações onde enfretamos abertamente os inimigos já que pouco pode-se fazer contra os cavaleiros da inquisição, então a furtividade é sempre a melhor alternativa. No começo, usamos pedras para distrair os inimigos e passarmos despercebidos, também instruindo Hugo a nos ajudar com ele entrando em lugares apertados para que nos abra portas ou janelas. E o interessante é que se nos separamos do garoto, ele aos poucos vai se sentindo desprotegido e pode entrar numa crise de desespero alertando guardas ao redor. O jogo constantemente passa a ideia de união dos irmãos, então a premissa de que ao largar a mão de Amicia, Hugo não só se sente ameaçado, mas ameaça também o jogador, é muito interessante, mas infelizmente é algo que mostra bastante potencial mas não realiza nada muito impressionante ao decorrer do jogo.

O outro aspecto de gameplay está diretamente ligado aos ratos e tem uma natureza de puzzle. Os enxames de roedores são uma ameaça de morte instantânea, então devemos criar situações onde possamos evitar o contato com eles, abrindo caminho de diferentes formas. Uma das coisas que restringe o movimento dos ratos é o fogo, algo que os afugenta, então usando tochas e outras fontes de fogo podemos nos movimentar mesmo entre os enxames. Tirar a atenção de cima dos irmãos para algo que seja mais interessante para os ratos é outra maneira de se progredir, para isso jogamos a atenção dos ratos para grandes pedaços de carne e até corpos de humanos ou animais (vivos ou mortos). São no geral desafios com soluções bem aparente, mas que funcionam bem nos capitulos iniciais do jogo. Visualmente as hordas de ratos são também um elemento impressionante e fortemente intimidador, criando momentos de grande tensão nas fases. O trabalho visual da Asobo é incrível, inclusive acho que dos jogos publicados pela Focus Home Interactive que joguei é o que tem os melhores valores de produção, tendo também um trabalho de efeitos de aúdio e trilha sonora fantásticos.

Um elemento tanto do gameplay quanto da narrativa que vai se tornando cada vez mais influente com o passar do tempo é a presença da Alquimia nesse mundo. Tanto a mãe de Amicia e Hugo quanto outros personagens que são introduzidos são Alquimistas, e aprendemos diferentes receitas de itens que nos apresentam outras maneiras seja para enfrentarmos a inquisição ou os ratos, ou até os dois juntos que é quando o design das fases apesar de continuarem razoalvemente simples, criam dinâmicas interessantes entres estes sistemas. É uma dos formas que introduzem também crafting dentro do sistema do jogo, onde coletamos diferentes recursos para criarmos novos itens e melhorarmos também os equipamentos de Amicia. É uma das poucas razões também que a exploração dos ambientes é incentivada, uma vez que em sua grande maioria as fases são lineares, com segmentos abertos e que tem mais de uma rota de progressão sendo presentes mas não constantes o bastante ao meu ver.

Por boa parte das doze horas que joguei A Plague Tale, o ciclo de gameplay foi muito simples e similar, algo que não é empiricamente ruim. Existem vários jogos que se convencionou a chamar de ‘’walking simulator’’ que eu adoro, mas todos acertam muito bem no ritmo ou em se manterem experiências mais curtas, ou introduzindo situações que instiguem o jogador seja via gameplay ou com momentos marcantes da história para seguir em frente. E é por exatamente não ser bem sucedido nesses campos, que ao meu ver A Plague Tale se perde um pouco pelo meio do caminho. Durante minhas primeiras horas com o jogo eu estava muito impressionado, por mais que o gameplay não tivesse apresentando muito desafio, existia uma variação de encontros satisfatória o bastante indo junto a história e criação de mundo muito bons que a Asobo apresentou, mas com o passar do tempo a sensação é de que por conta do ciclo de gameplay ser bem raso, ele vai utilizando de situações muito similares para prolongar seus capítulos.

E praticamente no mesmo momento que o gameplay vai cansando, o jogo também resolve mudar o intuito da história, removendo um pouco o aspecto da relação entre os irmãos e os conflitos terrenos que estes passam, para introduzir aspectos fantásticos e mais comuns a histórias de ficção que lidam com os tempos medievais. Existem dois capítulos entre o meio e o fim que pra mim só atrapalharam o andamento da jornada, e que trouxeram o pior tanto da história quanto do gameplay em um momento que poderiam até ter concluído a trama. Por mais que nos segmentos finais o jogo combine bem todos os elementos de gameplay que apresentou criando situações com os enxames de ratos, soldados da inquisição e todas as habilidades e itens dos personagens agrupando as soluções de combate, puzzle e stealth de forma interessante, acho que ele o fez justamente num momento onde a história tomou rumos desnecessários.

VEREDITO

A Plague Tale: Innocence é um bom jogo, que infelizmente se perde nos seus capitulos finais, impedindo que este se concluísse como um ótimo jogo. Apesar de uma primeira metade muito promissors e agradável, ele acaba no final se alongando desnecessariamente, entregando seções de gameplay sem muita inspiração, e capítulos onde a história se torna bem menos interessante. Estes fatores tiram um pouco do brilho do que ainda é um impressionante trabalho de construção de mundo e narrativa que a Asobo Studio introduziu nas primeiras horas de aventura.

NOTA: 7.5/10

Felipe Mesquita