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REVIEW: Flipping Death (PC, PS4, XB1, NSW)

Flipping Death
Data de lançamento: 07 de Agosto de 2018
Desenvolvedora: Zoink Games
Publisher: Zoink Games
Plataformas: PC, PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch
Preço: U$19,99

Não existem muitos jogos que eu categorizo como cômicos. Vários têm piadas e situações engraçadas mas pouquíssimos tem roteiros e design onde piadas são o tempo todo introduzidas nos diálogos, nas situações e até nas resoluções de gameplay. E é assim que enxergo grande parte do trabalho da Sueca Zoink Games. Em Stick it to the Man, Zombie Vikings e agora Flipping Death, o humor é uma peça central do conceito de design dos jogos, e que me lembram até esforços clássicos dos games como Day of the Tentacle, Grim Fandango e Psychonauts, obras de um dos mais consistentemente engraçados desenvolvedores da indústria, Tim Schafer.

Flipping Death é um puzzle adventure com alguns elementos bem leves de plataforma, é claramente um sucessor espiritual de Stick it to the Man lançado em 2013, compartilhando seu gênero e várias outras características. Jogamos com Penny, uma recém falecida jovem que após chegar no além acaba se tornando estagiária da Morte, tomando seu lugar enquanto ela sai de férias.

Algumas das habilidades que Penny recebe são as de possuir os corpos de outras pessoas possibilitando que ela habite tanto os lados dos mortos e dos vivos do mundo, e também podemos usar a foice da Morte para nos deslocarmos no cenário. Com o analógico e o gatilho direito podemos arremessar a foice e nos teletransportar para onde ela estiver indo

O jogo é estruturado em sete capítulos (e um prólogo), e todos se passam na cidade de Flatwood Peaks e na sua contraparte no além, onde habitam fantasmas e outras criaturas. Penny começa resolvendo problemas de fantasmas com assuntos não resolvidos no mundo dos vivos, mas rapidamente se vê envolvida numa aventura envolvendo a sua própria morte. Para resolver os puzzles ela deve alterar ambos espectros de Flatwood Peaks, utilizando as características específicas de cada personagem  como suas ferramentas.

Quando possui o corpo dos diferentes habitantes da cidade, Penny consegue ouvir e interagir com os pensamentos de cada um, sendo tratada como a ”voz interior” nas suas cabeças. É tanto um display de quão engraçado é o roteiro do jogo, dando um background cômico de cada personagem, como um auxílio dando leves dicas sobre os problemas que devem ser resolvidos (o jogo tem um sistema dedicado a dicas no seu menu, mas sinceramente acho um pouco exagerado porque ele entrega muito fácil as soluções).

Ao possuir um corpo ela pode controlar os habitantes de Flatwood Peaks e interagir com outros personagens e o cenário, e são essas interações e resoluções que me lembram muito adventures de outrora. Por exemplo, uma solução para resgatar um cachorro preso em um balão é possuir o cozinheiro da cidade e atirar almôndegas na direção do cachorro, para que dessa forma ele as coma, ganhe massa, e assim pesando o balão pra baixo. Em outra situação Penny tem que usar de um personagem para hipnotizar o policial da cidade, que tem uma condição sonâmbula onde ele vira um ávido hacker toda vez que dorme, e assim hackear e desativar um outro personagem que é só um cérebro dentro de uma máquina robótica. Cada capítulo vai te requisitar completar uma dúzia de diferentes passos para se chegar ao objetivo, e todas as situações são absurdas como estas descritas aqui, e as piadas, os diálogos e as resoluções é que tornam o jogo uma constante aventura de comédia. Quando avaliando a história como um todo, não tem nada demais na narrativa, mas o momento a momento do jogo é extremamente divertido.

No lado dos mortos (literalmente no lado, porque o cenário rotaciona quando passamos para o além) Penny consegue intervir diretamente e é ali que existe um pouco de gameplay de plataforma, mas nada muito complicado, até porque o jogo ta longe de ter um gameplay fechadinho nesse sentido, a jogabilidade é meio flutuante e não muito precisa. Com essa dinâmica entre os dois cenários se criam as possibilidades de relacionar as duas para resolvermos alguns conflitos dentro do jogo.

Flipping Death traz outras duas características já habituais da Zoink Games. A direção de arte bastante similar de Stick it to the Man e Zombie Vikings, toda criada num visual que lembra recortes e desenhos feitos em papelão com perspectiva 2.5D, e também a trilha sonora muito boa, e bem leve acompanhando o tom de todo o jogo

VEREDITO

Com uma relaxada e relativamente curta jornada (do começo ao fim foram algo entre quatro e cinco horas) Flipping Death é uma das alternativas de puzzle adventures modernos que mais se assemelha as clássicas aventuras da LucasArts, trazendo na minha opinião situações ainda mais engraçadas e absurdas que tais clássicos e de quebra conseguindo ser menos obtusa com suas resoluções dos puzzles. Se você tem um saudosismo pelo espirito desses clássicos e curtiu Stick It to the Man, provavelmente vai se divertir bastante com Flipping Death também.

NOTA 8/10 


O review foi baseado numa cópia de PlayStaion 4 fornecida pela Zoink Games

Felipe Mesquita