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REVIEW: GRIS (PC, Switch)

GRIS
Data de lançamento: 13 de Dezembro de 2018
Desenvolvedora: Nomada Studio
Publisher: Devolver Digital
Plataformas: PC, Nintendo Switch
Preço Base: U$16,99

O diretor criativo de GRIS, Conrad Roset, nunca havia trabalhado em um jogo antes de conhecer Adrián Cuevas e Roger Mendoza, dois amigos que estiveram anos dentro da Ubisoft, passando pelos estúdios de Montreal e Barcelona. Roset, antes um artista gráfico que fazia principalmente campanhas publicitárias viu jogos como Journey, Monument Valley e INSIDE abrirem seus olhos para a possibilidade de trazer sua arte para os videogames. E a primeira meia-hora de GRIS, é um baita cartão de visitas tanto para a belíssima identidade visual de Roset, uma combinação de traços feitos a lápis com cores em aquarela, quanto para como os Barceloneses da Nomada Studio referenciam suas influências, trazendo elementos de plataforma e puzzle para seu gameplay, adornado pela hipnotizante trilha da banda Berlinist, também naturais de Barcelona e estreantes nos games.

Não existe uma narrativa explicitamente descrita durante o jogo (ele não tem texto algum fora raros tutoriais explicando alguns comandos), mas começamos com a jovem Gris perdendo sua voz, e se encontrado num mundo onde as cores sumiram, onde tudo que restou foram variações de cinza (não à toa, cinza em espanhol também é ”gris”). Basicamente o jogador controla Gris passando por segmentos de puzzle platforming, buscando devolver tanto a voz para a jovem, quanto também as cores para esse mundo. Mais que ser uma narrativa literal, acho que a ideia aqui é estabelecer uma metáfora que trabalha a ideia de que ao se passar por momentos de ruína, perseverar na adversidade trará sua vida de volta aos eixos. Pode soar como uma relação simples, mas a execução desta metáfora consegue ser ao mesmo tempo aberta e intima o bastante para coincidir com as nossas próprias frustrações.

É impressionante ver a qualidade de animação transposta ao jogo. GRIS começa com uma pequena cutscene introduzindo a protagonista, e a transição entre cinemática e gameplay é inexistente, fazendo não só que seja lindíssimo de se ver em movimento, mas também muito gostoso e fluído de jogar. Começamos com apenas um básico pulo, mas três novas habilidades vão sendo dadas a personagem ao longo do tempo, que principalmente quando combinadas aumentam a profundidade do gameplay e geram as sequências mais divertidas de se jogar. Os percalços são na maioria bem simples dificilmente oferecendo algum desafio mais trabalhado (o jogo nem tem por exemplo morte ou fail-state) inclusive acho que demora um pouco para o jogo engatar em relação a puzzles e set pieces, deixando alguns segmentos moderamente monótonos, porém apesar de serem ocorrências relativamente raras, sempre quando o jogo tenta algo mais elaborado e grandioso acerta muito bem. Existe até um momento que seria equivalente a uma boss fight, onde a solução para se resolver um embate sem que o jogo precise ter um combate dedicado é bem interessante.

A combinação do estilo da arte com o game design também é destaque. Ao longo da narrativa, com os novos movimentos e a cor voltando ao mundo, algumas estruturas mudam a ponto de possibilitarem novos caminhos para Gris (alguns inclusive que não fazem parte da narrativa principal e que são tratados como desafios opcionais). Além disso muitas das dicas em relação a solução para os puzzles são dadas por elementos sonoros ou indicados no design dos cenários. Gosto muito também de como a Nomada Studio trabalha escala durante o jogo, variando no grau de aproximação da câmera, trazendo-a mais próxima a personagem durante momentos mais íntimos, e ficando bem distante em alguns momentos mais épicos, onde personagens ou construções do cenário são gigantes comparados a Gris.

Mas também é nesse quesito que vejo um dos problemas com o título. Algumas vezes o jogo é bem arbitrário em relação a quais estruturas são passíveis de se subir ou não. Tem momentos que ele utiliza um objeto como plataforma, e em outros este é apenas decorativo no cenário e isso gera uma certa confusão, e quando a câmera esta longe isso se agrava ainda mais.

VEREDITO

GRIS dificilmente vai te demandar dedos e raciocínio rápidos ou  lhe fazer coçar a cabeça pensando nas soluções de seus puzzles de plataforma. É um jogo curto (por volta de três, quatro horas), simples e bem acessível em termos de gameplay, divertido de controlar, mas que possivelmente deixa um pouco a desejar em termos de profundidade para aqueles que buscam maiores desafios. Mas penso que além de tudo isso, ele é uma experiência comovente por conta de suas combinações artísticas e narrativas. Adorei as minhas horas interagindo, ouvindo e assistindo a belíssima jornada de Gris.

NOTA: 8.2/10


O review foi baseado em cópias de PC e Nintendo Switch fornecidas pela Devolver Digital

Felipe Mesquita