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REVIEW: VANE (PS4)

VANE
Data de lançamento: 15 de Janeiro de 2019
Desenvolvedora: Friend & Foe
Publisher: Friend & Foe
Plataformas: PS4
Preço Base: R$76,90

Se VANE te passa sensações similares a jogos como ICO e The Last Guardian, não é nenhuma coincidência. Entre os cinco fundadores do estúdio Friend & Foe, estavam Rasmus Deguchi e Rui Guerreiro (que deixou o projeto durante o desenvolvimento), dois artistas membros do extinto Team ICO, equipe comandada por Fumito Ueda que existia dentro da SIE Japan Studios. Ambos trabalharam durante alguns anos na equipe de arte de The Last Guardian, então VANE ter uma atmosfera similar a projetos de Ueda é algo bastante natural.

Mas além da arte, o game design bebe bastante da filosofia de design por subtração que foi popularizada por Ueda e seus projetos. O jogo não tem UI e quase nenhuma tutorialização com o gameplay sendo focado em puzzles e exploração, contando uma história levemente subjetiva. Em VANE controlamos um garoto que dependendo de certas circunstâncias se transforma em uma águia. Dessa forma o loop no gameplay alterna entre dois espectros com mecânicas bem distintas, e ao combinar as diferentes habilidades de cada uma das formas se resolve os puzzles e progredimos dentro das fases.

Conceitualmente esses puzzles são na sua maioria bastante simples mas cumprem até bem seu propósito de trazer algum desafio para a jornada e evidenciar que o tema geral do projeto é transformação. O problema é que mesmo com esses encontros satisfatórios do ponto de vista do gameplay, faltam momentos marcantes durante as quase 4 horas de jogo. A situação do garoto constantemente vai escalando mas o jogo apresenta poucas razões do porque isso acontece. VANE tem talvez seu ponto alto em um dos primeiros segmentos onde o maior foco acaba sendo na exploração e os puzzles são meio que secundários e mais uma consequência da própria exploração. Um vasto deserto cheio de segredos onde o cenário funciona muito bem pra indicar os pontos de interesse sem que seja necessário ficar guiando o jogador de forma imperativa. Aqui a atmosfera se assemelha mais a Shadow of the Colossus, com sua imensidão de espaço vazio que intriga o jogador a cada elemento diferente no cenário. Ali foi onde o jogo conseguiu melhor direcionar e incentivar minha curiosidade e é uma pena que quão mais perto do final, menos interessante o mundo se torna.

Mas o maior problema que encontrei não foi nem em relação a direção e o conteúdo. VANE tem sérios problemas de performance e bugs. A movimentação do garoto e da águia não são perfeitas mas em condições normais funcionam satisfatoriamente, porém em vários momentos encontrei problemas de colisão com o cenário que chegaram até a me obrigar a resetar completamente o meu progresso de uma das fases pois o jogo havia me prendido em um local impossível de sair. Isso acontece também porque tirando o último capítulo, o jogo salva apenas no começo de cada fase, então se por alguma razão seja por conta de glitchs ou qualquer outro motivo você precisar abandonar aquela cena sem te-la terminado, o jogo vai te colocar de volta no começo quando retornar. Isso já seria uma incomodação sem os bugs, porém com a real possibilidade de o jogo impedir o seu progresso por fatores fora do seu controle, isso se torna um grande e frustrante problema.

A câmera também pode ser bastante incômoda. O projeto tem um grande foco em ser uma experiência cinematográfica (ele tem até aquelas barras pretas horizontais) então a câmera se ajusta automaticamente durante algumas cenas, chegando bem perto do jogador por exemplo quando se está voando com a águia. Essa constante mudança nunca é natural e atrapalha em alguns momentos quando se está tentando resolver algum puzzle ou encontrar algo específico no cenário.

VEREDITO

As influências de VANE são claras, o problema é que por mais que seja um projeto lindíssimo com puzzles satisfatórios, ele não consegue em nenhum momento chegar no nível de seus antecessores, e pior que isso, herda desses projetos problemas técnicos que aqui são ainda piores. Tem coisas muito boas dentro de VANE, mas a soma de seus fatores não resulta em algo marcante.

NOTA 6/10

Felipe Mesquita