REVIEW: Yakuza 0 (PS4)

Yakuza 0 (PlayStation 4)
Data de lançamento: 24 de Janeiro de 2017
Desenvolvedora: SEGA
Publisher: SEGA of America
Preço: U$59,99


Yakuza é uma série de jogos de ação que tem uma relação curiosa com o mercado Ocidental. Primeiro por conta de seu conteúdo mesmo, já que ele retrata de forma bem pitoresca mas honesta o contexto de uma faceta da cultura Japonesa. Segundo por conta da forma que a SEGA tratou a franquia por aqui. Atrasos bem grandes no lançamento e o não lançamento de vários spin-off’s fez com que a série ficasse reservada a um publico bem de nicho. Começando com Yakuza 0 porém, a publisher pretende aproveitar a renascença dos jogos Japoneses em consoles para tentar aumentar seu publico nesse lado do mundo. Num espaço de um ano três jogos da série Yakuza devem ser lançados no Ocidente (Yakuza 0, Yakuza Kiwami e Yakuza 6).

E para começar a escolha não podia ser melhor (pelo menos em questão de cronologia). Yakuza 0 é uma prequel do primeiro jogo lançado ainda no PlayStation 2 em 2005 e se passa nos distritos de Kamurocho e Sotenbori em Dezembro de 1988. O jogo segue as histórias de Kazuma Kiryu e Goro Majima pulando entre os protagonistas a cada par de capítulos. Enquanto Kazuma entra em um conflito e acaba se desligando de sua família de Yakuza’s, Majima está tentando voltar para a máfia depois de anos em um ”período sabático” fora da Yakuza. Por conta de suas ligações com o clã Tojo, eles acabam sendo puxados para um mesmo conflito.

Os dois arcos são muito bem trabalhados com cutscenes bem longas e diálogos extensos e impactantes. Uma marca registrada da serie é a atenção dada a historia e aos personagens e em Yakuza 0 não é diferente. Kazuma e Majima tem personalidades bem diferentes mas igualmente marcantes, o mesmo podendo ser dito para praticamente todos os personagens de apoio da narrativa. A historia tem pontos melodramáticos que se assemelham a uma novela com viradas e plot twists, e é difícil não se interessar e se apegar a trama e seus participantes. E claro, tem também aquela pegada tradicional de nonsense que se espera de um titulo Yakuza em vários momentos.

No storytelling porém encontra-se um dos meus problemas com o jogo. Apesar da historia e personagens super interessantes, em alguns momentos cutscenes e diálogos se estendem demais quebrando o ritmo. O jogo tem quatro diferentes tipos de cutscenes (duas inclusive em que os personagens não mexem os lábios ao falarem) e em momentos ocorre uma troca de estilos durante uma cena, que deixa o ritmo estranho. Outro caso são quando cenas super tensas de historia chegam no clímax e dão a deixa perfeita para começar uma luta, mas o jogo arrasta um dialogo inútil e clichê pro momento, também quebrando o ritmo. São problemas que não afetam a qualidade geral da historia (que reitero, é fantástica) mas atrapalham o segmento da mesma.

As estruturas de algumas missões também podem ficar tediosas já que as vezes o jogo utiliza de fetch quests pra dar uma alongada em alguns segmentos.

Ao meu ver a melhor forma de descrever o combate da série Yakuza é sendo visto como uma evolução natural do combate em beat’ em ups 2D para o 3D: Combos e múltiplos inimigos ao mesmo. Simples e apesar de em ocasiões virar um button mashing, ele não fica chato e se mantém divertido. E em Yakuza 0 ele está ainda melhor.

Cada personagem tem três estilos que aqui diferentes do resto da saga, podem ser trocados de forma imediata, algo que contribui muito pra fluidez. Esses estilos variam em cadencia, sendo um balanceado, um mais devagar nos movimentos mas também mais poderoso e outro com ataques menos impactantes mas super rápido e que incentiva esquiva. Além disso os dois personagens tem um medidor de especial que ocasionam ataques especiais que dão mais dano nos inimigos. Enquanto Kazuma é um pouco mais focado e sério na sua atitude, Majima é excêntrico e aos poucos vai se soltando e virando o ”Mad Dog Majima” como é conhecido em outros jogos da série. Tais facetas influenciam também os estilos de luta dos dois. Majima por exemplo tem um estilo chamado ”Breaker” que é influenciado por dançarinos de rua que ele encontra nas ruas de Sotenbori, e que por sinal é um dos mais divertidos estilos de combate de se ver e usar.

Visualmente o combate é violento e extremamente alucinante, principalmente quando o ambiente é usado durante o combate. Por conta de seu estilo exagerado é impossível não ter uma reação quando Kazuma quebra uma bicicleta em um inimigo ou quando Majima usa seu taco de baseball indestrutível pra finalizar um oponente. O jogo também gratifica o jogador por combos e usos dos especiais dando recompensas maiores de dinheiro nesses casos. É sempre cômico ver dinheiro voando pela tela enquanto você ataca seus inimigos.

É possível aprender novos combos e ataques com NPC’s e o jogo tem também um sistema de progressão para cada personagem e estilo de luta onde se usa dinheiro do jogo para fazer upgrades em Kazuma e Majima. Apesar de interessante não gostei tanto desse sistema por conta das disparidades de valor entre os upgrades, que muitas vezes não tinham tanto impacto no combate.

Além disso o dinheiro pode ser gasto em restaurantes ou itens para recuperar energia e a barra de especial, acessórios que afetam características dos personagens em lutas, ou nas atividades extras espalhadas pelos distritos.

Apesar de ser dividido em capítulos, Yakuza 0 não é linear e sim estruturado em um par de mundos abertos. Eles não são vastos como em outros jogos do gênero, mas tanto Kamurocho quanto Sotenbori são extremamente vividos, com visual bem detalhado e colorido pelas luzes tipicas de distritos do tipo. São também recheados de NPC’s e atividades extras que dão um caráter bem natural pros ambientes.

São 100 sidequests, com uma variedade muito interessante de teor das missões. Por exemplo, em uma Kazuma tem que se passar por um produtor de programa de TV, em outra ele deve ajudar um garoto a recuperar a sua cópia do RPG  ”Arakure- Q3” (uma clara alusão a Dragon Quest III, lançado em 1988 para o NES) que é sucesso no momento no Japão. Todas as sidequests tem seu charme e algumas geram boa parte dos momentos mais engraçados do jogo por conta de suas bizarrices.

Mais impressionante ainda que a variedade das sidequests são os minigames de entretenimento. Os distritos contém arcades da SEGA (onde da pra jogar Outrun e Space Harrier), Karaokes, boates, bares com sinuca e dardos, boliche e varias outras atividades (algumas inclusive bem Japonesas, se é que você me entende), e é incrível como são super bem trabalhadas e detalhadas. Todas funcionam muito bem e são muito divertidas, o minigame de Karaoke por exemplo não fica devendo em nada a maioria dos jogos rítmicos que se tem por ai. Fica claro que a SEGA vê esse aspecto como um dos pilares da série por conta da atenção que é dada a cada uma dessas atividades. Com certeza um dos maiores destaques do jogo visto que passei horas com esses joguinhos.

Ambos os personagens tem também trabalhos especiais. Kazuma passa a trabalhar para uma empresa de empreendimentos imobiliários e ele tem que gerenciar os investimentos e funcionários da empresa. Majima vira gerente de um cabaret e também deve organizar a casa e designar as garotas aos seus clientes. São atividades interessantes que adicionam ainda mais conteúdo e contexto ao mundo do jogo

Além disso existem alguns aspectos de multiplayer, tanto local quanto online. No multiplayer local dois jogadores podem aproveitar os minigames de dardos, sinuca, boliche e disco dancing enquanto no online existem lutas e jogos de poker, mahjong e cee-lo (um jogo de azar com dados).

É realmente incrível como o jogo pode oferecer tanto conteúdo opcional e ainda sim dar um tratamento especial a historia.

VEREDITO

Yakuza 0 conta uma épica história de origem de dois personagens super carismáticos, com momentos hilários e emocionantes na sua narrativa, entregue por um voice acting em Japonês de alto nível. Combate divertido e uma quantidade insana de conteúdo opcional completam esse pacote bem único em estilo e até em suas deficiências. Um jogo que atende tanto veteranos da série quanto jogadores que querem começar na franquia, oferecendo facilmente dezenas ou até centenas de horas de diversão.

NOTA 8.5/10


O review foi baseado em uma cópia de PlayStation 4 fornecida pela SEGA of America.

Você pode seguir e xingar Felipe Mesquita no Twitter

Compartilhe:
  • Eduardo Camolez

    Sempre curti muito beat’ em ups, sou dos tempos de Final Fighter e Tartarugas Ninja no fliperama e curto pra caramba os joguinhos e atividades paralelas ao enredo desde GTA 4. OK senhor Felipe, estou “hypado” pra jogar agora… compra certa… já não era suficiente o senhor ter vendido tão bem o The Last Guardian??? hehehehehehehe Falando sério, obrigado pelas informações! Abraço

  • thenets

    O único Yakuza que eu joguei foi o 3. Eu achei muito confuso e não entendi quase nada na época. Era uma bagunça de contar um monte de coisas de uma vez e me parecia estar faltando informações, como se eu precisasse dos jogos anteriores pra entender o que estava acontecendo.
    Por resolver esses problemas, eu tbm acho que o Yakuza 0 pode ser uma boa vinda para o ocidente como título de apresentação da série pra cá. Várias coisas que me irritaram, pela sua análise, me parecem ter sido resolvidas. E eu fiquei realmente com vontade de pegar o jogo e tentar entrar para esse mundo.
    Cada vez menos estou com interesse em jogos com mundos imensos, mas preferindo jogos com mundos ricos e imersivos. E eu lembro de já ser assim no PS3 e parece estar melhor agora no Yakuza 0, do PS4.

    Parabéns pela análise, cara. Vc e a Nintendo estão me convencendo a comprar um PS4 rs
    Abraço!

  • Felipe Nascimento

    O jogo tem legendas em português?

  • Schmidtera

    Os review estão ficando cada vez melhores!!!